quinta-feira, 3 de março de 2011

MITOS E LENDAS ACERCA DA ORIGEM DA VIDA

·         Indígenas:
Na mitologia indígena brasileira existem diversas lendas sobre o nascimento da vida e a formação do Universo. Cada tribo com a as suas tradições. (índios Caiapós) - Há muitos anos os índios Caiapós habitavam uma região localizada sobre a Terra. Viviam sobre nuvens bem distantes. Não havia Sol, Lua, rios ou florestas. Um certo dia surgiu um buraco nas nuvens. Desse local ouviam ruídos distintos dos que conheciam no seu cotidiano. Apesar do grande receio, foram aos poucos se aproximando do buraco. Por curiosidade um dos índios se abaixou para observar através do buraco. Viu um céu azul e ao fundo uma região verde. A nossa Amazônia. Relatou essa observação aos demais membros da tribo que foram conferir esse relato, também observando através do buraco. Foram realizadas diversas reuniões entre os sábios da tribo em busca de compreender o que observavam. Decidiram que seria necessário explorar essa nova região. Surgiram diversos voluntários. Com o passar do tempo o ímpeto dos voluntários foi diminuindo. Somente dois homens e duas mulheres, dois casais, mantiveram o ânimo inicial. Assim foi marcado o dia do início da exploração. Os corajosos exploradores despediram-se de suas famílias e dos seus amigos, já que não sabiam o que poderiam encontrar. Foi realizada uma grande cerimônia. Receberam todo o equipamento auxiliar, arco, flechas, mantimentos,... 
Havia sido produzida uma grande escada de cordas. Lançaram a escada pelo buraco. Por ela desceram os dois valentes casais. Haviam assumido o compromisso de retornarem em um determinado período de tempo para trazer notícias. Ao chegarem ao solo. Ficaram maravilhados com o que viram. Belas e frondosas árvores. Pássaros. Um grande rio. Animais que não conheciam. Começaram a seguir uma anta. Depois seguiram uma borboleta. Caminharam ao longo do rio. Estavam impressionados com a beleza do lugar. O tempo foi passando e esqueceram de retornar para as nuvens onde viviam. Nas nuvens os sábios estavam começando a ficar preocupados. Haviam feito um plano de emergência, com medo de que a escada fosse usada por espíritos perversos. Vencido o prazo, cortariam a escada de corda. 
Os exploradores perderam a noção de tempo com tanta coisa nova que estavam descobrindo. O tempo se esgotou e nas nuvens a tribo resolveu cortar a escada. Apesar do protesto dos parentes e amigos dos bravos aventureiros, a escada foi cortada. 
A noite começou a chegar na Amazônia. Com o início do escurecimento do ambiente, os valentes exploradores lembraram do compromisso assumido. Correram em direção ao local onde estava a escada. Quando lá chegaram, a escada estava caída no solo. Não poderiam regressar às nuvens. Começaram a chorar. A noite chegou. Em um certo momento, um deles olhou para o Céu. Parou de chorar. Chamou a atenção dos demais, que também olharam para o Céu, e pararam de chorar. O que eles viram? Viram o Céu estrelado. Imaginaram cada uma das estrelas como uma representação das fogueiras que eram acesas nas nuvens que viviam. Assim cada vez que olhassem para o Céu estariam lembrando dos seus familiares e amigos que haviam ficado nas nuvens. Esses dois casais deram origem a vida na Terra. 
Os índios Caiapós vêem sinais de seus ancestrais cada vez que olham para um belo céu estrelado.
Fonte: Livro "Um Passeio pelo Céu", autor Marcelo de Oliveira Souza, editora Muiraquitã (2007)
·         Cristã - Criacionismo 
Basicamente defende a teoria de que a Terra e a vida foram criadas por Deus. Esta teoria não é considerada uma teoria científica, mas sim uma teoria metafísica. E está apresentada nos livros Corão e Gênesis da Bíblia Sagrada e segundo esta última, a criação do ser humano teve tal versão: “Então, do pó da terra, o Senhor formou o ser humano. O senhor soprou no nariz dele uma respiração de vida, e assim ele se tornou um ser vivo.” (Gn 2. 7), vale ressaltar que em hebraico terra soa parecido com ser humano: adamá (terra) e adam (ser humano).
O criacionismo ao contrário do que muitas pessoas pensam é defendido não somente pelos cristãos mais também pelos mulçumanos e outras religiões que crêem que um único Deus criou o céu e a Terra com seus seres vivos, porém há algumas diferenças entre os criacionistas: segundo a pesquisa do professor João Flávio Martinez existem dois tipos de criacionismo, os neocriacionistas e os criacionistas clássicos.
Os neocriacionistas defendem que existiu uma entidade inteligente que contribuiu para a criação dos seres vivos. Tal teoria surgiu nos EUA por volta da década de 20. Os defensores desta idéia tentaram colocá-la para ser ensinada nas escolas, porém, por intervenção dos evolucionistas, esta proposta não entrou em vigor.
Os criacionistas clássicos seguem rigorosamente a idéia de que um Deus criou tudo sozinho em sete dias. Esta idéia atualmente está bastante fraca devido à maior difusão do evolucionismo, porém, segundo uma pesquisa da Gallup divulgada pela folha de São Paulo, 90% dos norte-americanos crêem em um Deus criador.
Como pôde ser notado o criacionismo e o evolucionismo, o qual foi defendido por Charles Darwin que inclusive se formou somente em teologia, divergem em suas teorias sobre a criação dos seres vivos. Quanto à idade da Terra, segundo os criacionistas, ela foi criada por volta de 4004 a.C. e desde então não sofreu nenhuma modificação, nem mesmo os seres nela viventes, eis aí o principal ponto de divergência.
Observação:
A origem da vida para as religiões abraâmicas (cristianismo, judaísmo e islamismo) é a mesma: um ser superior (Deus para os cristãos, Alá para os mulçumanos e Javé para os judeus) criou um jardim: o jardim do éden, e lá colocou o homem para cuidar dele e cultivá-lo com plena sabedoria.
De acordo com o Alcorão, os outros seres humanos surgem a partir de uma gota de esperma que se torna um coágulo de sangue e que vai evoluindo de acordo com o tempo. Assim como cita este trecho do livro: “1. Acaso, não transcorreu um longo período, desde que o homem nada era? / 2. Em verdade, criamos o homem, de esperma misturado, para prová-lo, e o dotamos de ouvidos e vistas.”. 
O livro sagrado dos mulçumanos também faz referência à semelhança entre o embrião em sua fase primitiva, com várias estruturas como a de uma sanguessuga ou até de uma substância mastigada. 
Por isso no livro se encontra as classificações dos estágios do desenvolvimento pré-natal, onde em cada classificação, o embrião é comparado a uma estrutura diferente. 

Essa classificação está dividida em: nutfah significa “uma gota” ou “uma pequena quantidade de água”, 'alaqh que quer dizer “estrutura semelhante ao de uma sanguessuga”, mudghah significa “estrutura semelhante a uma coisa mascada”, 'idhaam significa “ossos ou esqueletos”, kisaa ul idham bil-laham que significa “vestir os ossos com carne ou músculo” e al-nash'a que significa “a formação do feto”. 

Segundo a o livro, essas classificações do embrião, foram concedidas a Mohammad (Maomé) por Deus, pois na época da criação dessas classificações, pouco se sabia sobre a embriologia.
·         Crenças africanas:
Primeiramente é bom ressaltar que, segundo as crenças africanas existem três deuses supremos, um é Olórun o criador do mundo, outro é Obàtálá o criador do homem e Odùdúwà o criador e distribuidor da justiça. Existem dois mitos que afirmam a criação do homem, um que mostra como o único autor o deus Obàtálá e outro tem como a criação, uma espécie de parceria entre Obàtálá e Olórun.
O primeiro mito diz que Olórun começou a criar o mundo e encarregou Obàtálá de terminá-lo. Após ter terminado o mundo, Obàtálá fez o homem e a mulher, mas primeiramente de modo rebuscado, feito de barro, e apenas mais tarde que lhes foi concedido membros e feições. Desse modo, conseguiu-se insuflar o grande Deus Olórun à vida.
A segunda versão tem como único criador do primeiro casal o Deus Obàtálá, o qual também é atribuído os poderes de designar a forma de uma criança no ventre da mãe, e os deficientes são vistos como um erro seu e por isso seus protegidos, ou então um modo de demonstrar a insatisfação do Deus com os pais da criança.

Fonte: http://www.sbmrj.org.br/Images/1mosomitephoto.gif

http://www.ateus.net/artigos/ciencias/a_origem_da_vida.php
http://www.paijulioesteio.kit.net/religioes_de_matriz_africana_no_contexto_geral_no_brasil_9.htm
Grega:
A narrativa da origem do mundo, segundo os gregos, a partir da versão de Hesíodo, no poema Teogonia (isto é, "nascimento dos deuses"), é o texto que transcrevemos.
 Primeiro nasceu Caos, a existência indistinta; depois nasceram a Terra (Gaia) e Eros. [...] Caos gerou a Noite, que gerou o Dia. A Terra gerou o Céu (Urano), as Montanhas e o Mar; uniu-se ao Céu (Urano) e gerou os Titãs, Réia, Têmis, Memória, os Ciclopes, fabricantes do raio, os Gigantes, de cinqüenta cabeças e cem braços, e Cronos, o tempo.
[...] Guiados por Eros, os deuses se reproduzem: há os filhos da Noite, entre os quais estão a Morte, o Sono, os Sonhos e as Parcas, divindades do destino, de cujos desígnios nem os deuses escapavam, que eram três: Fiandeira, Distribuidora e Inflexível; e a linhagem do Mar. Nereu e as várias Nereidas, suas filhas, Espanto, Ceto, entre vários outros.
O Céu (Urano) detestava os filhos, e escondia-os na Terra; até que ela, atulhada, criou uma foice e deu-a a seus filhos, para que castrassem o pai. Todos ficaram com medo, mas Cronos aceitou a missão, e, ao entardecer, quando o Céu se deitava junto com a Terra, a cumpriu. [...] A partir daí começa o domínio da segunda geração de deuses, encabeçados por Cronos. Cronos sabia que ia ter um destino semelhante ao do seu pai, ser destronado por um de seus filhos; então os engolia à medida que iam nascendo do ventre de Réia. Foi assim com Hera, Deméter, Héstia, Hades e Posêidon; quando Zeus nasceu, Réia deu uma pedra para Cronos engolir e escondeu o filho, que cresceu e cumpriu o destino de destronar o pai. Como ele fez isso não é dito, mas fez Cronos vomitar seus irmãos. Depois disso, aliado aos outros deuses e aos Gigantes, derrotou os Titãs numa guerra terrível, na qual os deuses se aliaram aos Gigantes, filhos da Terra. O domínio de Zeus marca a terceira geração de deuses. Ele repartiu o mundo com seus irmãos. Posêidon ficou com os mares, Hades com o mundo subterrâneo, e a ele próprio coube o céu. Essa geração também teve muitos filhos. De Zeus e Deméter nasceu Perséfone: de sua união com Memória nasceram as Musas; com Leto, Apolo e Ártemis; com Hera, Ares, Hebe e Ílitia; com Maia, Hermes; com Sêmele, Dioniso. Mas a primeira esposa de Zeus, Métis, a astúcia, foi engolida por ele, porque estava destinada a dar à luz dois filhos: um era Atena, e o outro seria aquele que destronaria seu pai. Zeus engoliu Métis e ficou astucioso, e gerou Palas Atena, que nasceu de sua cabeça. (Hesíodo, Teogonia)
  Assim como a do mundo, a origem do homem é relatada por inúmeros mitos que falam de seus antepassados: em algumas regiões eram considerados filhos da Terra, em outras eram formigas transformadas, ou seres feitos a partir do barro ou da areia.
 Num fragmento atribuído a Hesíodo, encontra-se uma história sobre a origem dos habitantes da ilha de Egina, segundo a qual a deusa Egina teve um filho com Zeus, Éaco, que ficou inteiramente só na ilha. Ao tornar-se adulto, a solidão o aborrecia. Para acabar com essa solidão, Zeus converteu as formigas da ilha em homens e mulheres, concedendo a Éaco um povo chamado urirmidões.
 Havia também mitos sobre relações entre pais e filhos. Um exemplo é o mito de Édipo, que foi tratado pelo dramaturgo Sófocles na tragédia Édipo-Rei.
 Édipo era filho do rei de Tebas, Laio, e sem saber matou seu próprio pai, casando-se com sua mãe, Jocasta, que ele não conhecia. Tudo isso aconteceu porque quando Édipo nasceu seus pais foram informados de uma profecia que relatava seu destino. Para evitá-lo, ordenaram a um criado que matasse o menino. Porém, penalizado com a sorte de Édipo, ele o entregou a um casal de camponeses que morava longe de Tebas para que o criassem. Édipo soube da profecia quando se tornou adulto. Saiu então da casa de seus pais adotivos para evitar a tragédia, ignorando que aqueles não eram seus legítimos genitores. Eis que, perambulando pelos caminhos da Grécia, encontrou-se com Laio e seu séquito, que, insolentemente, ordenou que saísse da estrada. Édipo reagiu e matou os integrantes do grupo, sem saber que estava matando seu verdadeiro pai.
 Continuou a viagem até chegar a Tebas, dominada por uma Esfinge, que devorava as pessoas que não decifrassem seu enigma: “Qual o animal que anda com quatro patas ao amanhecer, duas ao meio dia e três ao entardecer?”. Édipo decifrou o enigma, respondendo: o homem. A Esfinge morreu, Édipo tornou-se herói de Tebas e casou-se com a rainha, Jocasta, a mãe que desconhecia.
 Esse mito grego foi relido pelo psicanalista austríaco Freud, que nele encontrou pistas para elaborar suas idéias acerca da relação dos filhos com o genitor do sexo oposto.
 Assim como são vários os mitos sobre a relação entre os homens, também são muitos os que dizem respeito à relação entre os deuses e os homens. Um deles, por exemplo, é o de Prometeu, outro é o de Pandora.
 Prometeu era um titã, portanto, descendente de Urano, como Cronos, e derrotado por Zeus, conforme a história de Hesíodo. Titãs, segundo o mesmo Hesíodo, seriam “aqueles que por presunção teriam tentado realizar uma grande obra porém foram punidos”. Essa grande obra foi partilhar a audácia do plano divino com os homens. O que aconteceu da seguinte maneira:
 O titã Jápeto, irmão de Cronos, tinha dois filhos que se tornaram o elo entre os deuses e os humanos: Prometeu (que quer dizer “o astuto”) e Epimeteu (que quer dizer “o que só aprende depois do erro”). Segundo Platão, depois que os deuses fizeram as criaturas com uma mistura de terra e fogo, deram aos irmãos Prometeu e Epimeteu a incumbência de dar a cada uma delas a capacidade que lhe fosse mais adequada. Para essa tarefa eles tinham um certo prazo, ao fim do qual as criaturas sairiam das trevas do centro da terra para a luz. Eles combinaram que Epimeteu faria o serviço e Prometeu o verificaria. E assim foi feito. Epimeteu distribuiu força, alimentos, velocidade, proteção a todos, de tal forma que as criaturas pudessem sobreviver; no entanto, deixou o homem nu, sem nenhum atributo que o protegesse. Quando Prometeu foi verificar o trabalho de seu irmão, percebeu perplexo a situação do homem. Resolveu roubar as artes de Hefesto e Atena - a metalurgia e a tecelagem - e o fogo, que deram ao homem a sabedoria e as condições para enfrentar os problemas da vida cotidiana. Por isso os homens têm uma maior proximidade com os deuses do que as outras criaturas. Mas também por isso Prometeu foi castigado.
 Ficou acorrentado por trinta mil anos no pico mais alto do Cáucaso, tendo o fígado picado por um pássaro, até que Hércules, o semideus filho de Zeus, o libertou. Segundo alguns, sua libertação deveu-se ao fato de Zeus querer tornar seu filho famoso, porém outros interpretam-na como recompensa por Prometeu ter guardado o segredo da deposição de Zeus.
 Segundo as várias versões da história de Prometeu, sua libertação exigiu que ele deixasse um outro imortal sofrendo em seu lugar. Quem tomou para si o sofrimento de Prometeu foi o centauro Quíron, que fora ferido acidentalmente por Hércules. Quíron passou a ser identificado com a invenção da arte de curar.
 Montagem: Alessandra Amato